sábado, 7 de abril de 2012

CAUSOS DO COTIDIANO DE RESENDE


Moro numa bela cidade!
Me arrisco mesmo a dizer, bela em quase tudo!
Andando pelo interior, encontramos figuras lendárias,
folclóricas, espontâneas e muito simpáticas.
Hoje fui dar uma volta por algumas ruas.
Algumas com cerca de vinte metros muro a muro,
calçadas com quatro metros de largura,
tudo amplo e arejado,
belas casas com seus jardins floridos
e que nos mostram a amplidão de seus quintais arborizados.
Parei numa esquina, onde havia três senhores
que conversavam com outro que vendia frutas,
ali mesmo no quintal da casa, com cobertura e balcão apropriados.
Lá se encontra desde rapadura, pé-de-moleque, fubá,
legumes, até palmito pupunha, em meio a saborosas mangas, laranjas, bananas
mamão e cará (parente do inhame), este quase do tamanho de uma cabeça humana!
Enquanto eu escolhia o que comprar,
ouvia a animada conversa dos quatro velhos amigos, cabeças brancas,
sobre suas aventuras no passado, enquanto chupavam laranja.
Demorei a escolher, para ouvir o final de uma estória.
Já tinham falado sobre como evitar picada de cobras,
como curar o veneno, e falavam agora sobre onça.
Um deles contou que quase foi morto por uma onça pintada.
Estava no mato e, ao ver a dita cuja vindo em sua direção,
 pegou sua caixinha de munição, e disse:
“Agora, ou tu me come ou arranco teu couro, sua danada, pera aí”.
Ao abrir a caixa de munição, viu que havia levado a caixa errada.
Estava cheia de pregos de vários tamanhos, que guardava em sua sucata.
O medo crescia, à medida que a onça se aproximava, com o olhar fixo nele.
Rapidamente, ele subiu num galho de árvore, enquanto pensava o que fazer.
A onça rondava a árvore pacientemente, preparando a hora do ataque.
Sem outra opção, ele encheu a mão com pregos e os colocou no cano da espingarda,
como se fossem chumbo. Carregou com pólvora, bucha e aguardou.
Havia muitas árvores de tronco grosso, em volta.
Quando a onça passava justamente em frente a um desses troncos,
Ele disparou!
Como havia colocado muita pólvora, de tão “apolvorado” que estava,
houve muita fumaça. Mesmo assim, ele percebeu que o tiro só havia atingido a cauda da onça, e que ela tinha dado um grande salto.
Quando a fumaça se espalhou, ele viu uma cena inusitada:
Com o estampido, a onça se embrenhou no mato, mas...
Sua cauda ficou pregada no tronco daquela árvore, por dezenas de pregos,
deixando pendurado seu belo couro... Intacto!
E completou: Bem que eu avisei:  “ou tu me come ou arranco teu couro, sua danada”.
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Depois dessa...
Paguei, peguei a compra e... Fuuui... Antes que começassem outra!